
A Polícia Federal elevou o tom das investigações da Operação Colligatio e colocou o ex-deputado federal Uldurico Júnior no centro de um inquérito que migra do campo político para o policial. O nome que antes figurava nas disputas eleitorais agora aparece vinculado a apurações que envolvem crime organizado e possível interferência no processo democrático.
A operação foi deflagrada na terça-feira, 14 de abril de 2026, com mandados cumpridos em Teixeira de Freitas e Salvador. As investigações tiveram origem em informações do Ministério Público da Bahia e da Corregedoria-Geral de Justiça da Bahia, apontando indícios de uma articulação criminosa com fins eleitorais.

🔎 Do palanque ao inquérito policial
Segundo a Polícia Federal, Uldurico Júnior é apontado como peça central de um suposto esquema que teria buscado apoio de facções criminosas para obtenção de vantagem eleitoral nas eleições de 2024. A investigação indica que o elo teria sido construído com lideranças que atuam dentro do sistema prisional baiano.
Entre os grupos citados estão:
- Facção Gueto, com atuação no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas
- Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), com base no presídio daquela cidade
A suspeita é de que a estrutura criminosa pudesse influenciar votos, intimidar eleitores e atuar como braço informal de campanha, o que, se comprovado, configura grave violação ao Estado Democrático de Direito.
📱 Apreensões e avanço das investigações
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais apreenderam:
- Telefones celulares
- Computadores e notebooks
- Dispositivos de armazenamento
- Documentos físicos e digitais
- Veículos ligados aos investigados
Todo o material será periciado e pode revelar o nível de envolvimento dos investigados, bem como a eventual existência de uma rede estruturada de cooptação entre política e crime organizado.
⚖️ Crimes investigados
Com base nos elementos já reunidos, os investigados podem responder por crimes graves previstos na legislação brasileira:
- Corrupção eleitoral (art. 299 do Código Eleitoral)
- Organização criminosa (Lei nº 12.850/2013)
- Corrupção ativa (art. 333 do Código Penal)
- Corrupção passiva (art. 317 do Código Penal)
Dependendo do avanço das investigações, outros delitos podem ser incluídos, especialmente se houver comprovação de ligação direta com o tráfico de drogas.

📌 Linha tênue entre política e crime
A Operação Colligatio expõe um cenário preocupante: a possível infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral. O caso marca a transição de um nome conhecido nas páginas políticas para o centro das páginas policiais, evidenciando a gravidade das suspeitas apuradas pelas autoridades federais.
As investigações seguem sob sigilo judicial, e a Polícia Federal não descarta novas fases da operação, à medida que os dados apreendidos forem analisados.
Cara e Coroa com Colaboração – Liberdade News

